Soneto: Amor de caboclo


Eu, caboclo um dia amei uma cabocla
Pensei ser amor infinito, me apaixonei
No excesso da paixão uma loucura jurei
Amar-lhe eternamente que jura louca!

Corpo grácil, lábios róseos, que linda boca!
Dentes e risos meigos se há amor não sei
E se ama a outro alguém, não perguntei
Que réplica, nunca usei-a como “touca”.

Amor relíquia num nicho apaixonado
Implorando uma megera que o detesta
E tetricamente suspira o coitado.

A pequenez voz ignota o protesta
Dizendo não, mas diz o ser abandonado
Quanto é ruim se amar a quem não presta.

Isvadre, o camponez.
 
©2009. Ismael Freire.







Guarabira a Rainha do Brejo

Guarabira foi fundada
Em 16-94
E do tenebroso atro
Na luz fora consagrada
Logo que edificada
Progredir foi o seu plano
Saindo do desengano
No crescimento caminha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

Em 26 de novembro
De 18-87
Foi cidade e me compete
De dizer que cada membro
Festejou-lhe até dezembro
Chegada do próximo ano
Nova data e novo arcano
Só hermético advinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

Teus primeiros habitantes
Foram índios Potiguaras
Rixentos dos Tabajaras
Suas brigas eram constantes,
Mortes bárbaras incessantes
Em francês e lusitano
Escravo, senhor tirano
Velho, mulher, criancinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

O Jesuíta Gaspar
Sampére veio de Natal
Pedir da guerra o final
E aos índios pacificar,
Sem armas pra enfrentar
Só a fé no soberano
Sem a ninguém causar dano
Fez a paz na fé que tinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

Guarabira tens o florão
A beleza mais supimpa,
Fulgura em Mata Limpa
A Estátua Frei Damião,
O romeiro em oração
Louva ao Frade Bozzano
Ao Bispo Diocesano
Que outrora aqui não tinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

Teus campos em flores azuis
Faz ver o Brasil pindoba,
A Serra da Copaóba
Aldeia, e a de Quandús
Dum povo bárbaro sem luz
Famigerado insano
Facínora, ruim, tirano
Muito pior que morrinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

Tua cidade fagueira
Teus prados são verdejantes
Teus colégios importantes
Em creches a pioneira
Saúde a mais verdadeira
Parte, eixo raquiano
Ou bulbo raquidiano
Na tua família e minha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

Belas ruas asfaltadas,
Lindos são teus palmeirais
Onde pipilam os pardais
E pombos em revoadas,
Do sino as badaladas
Louvam a Deus soberano,
O Padre Paroquiano
Diz Ave Maria à tardinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

E nas tardes calorosas
Tem a Praça João Pessoa
Além d’a sombra ser boa
Os pombos aves mimosas,
Sobe nas ramas frondosas
Camaleão ou Iguano,
Lagarto americano
Do mesmo se a vizinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

O Fórum de Jurisdição
Juízes e promotores,
Câmara dos vereadores,
Prefeitura ou divisão
A lotérica em ação,
Igreja, Diocesano
Regime salesiano
Da Virgem nossa madrinha,
Guarabira és a Rainha
Do Brejo Paraibano.

© Ismael Freire. 2009


Com meros conhecimentos e desejos simultâneos com bases fundamentais nas poesias divinas.

Tema de Luiz Gomes Lunerque

Com meros conhecimentos
E desejos simultâneos.
Reúnem-se os pensamentos
Dos poetas conterrâneos,
Que buscam poesias líricas
Lá nas moradas empíricas,
Santas e alabastrinas
Dos Deuses celestiais
Com bases fundamentais
Nas poesias divinas.


Poesias, puras essências
Que em etéreos momentos
Nas luzes de refulgências
Reúnem-se os pensamentos
Dos poetas conterrâneos
Nos repentes instantâneos
Mostram de Deus as doutrinas
E as belezas siderais
Com bases fundamentais
Nas poesias divinas.

Ismael Freire, 2009

Mataram Camões de Fome

Tema de: Luiz Gomes Lunerque


Luiz Vaz de Camões nasceu
No ano 15-25,
Grande poeta de afinco
Em Ceuta* um olho perdeu
Servindo como um soldado.
Após de ter regressado
A Lisboa teve prisão
Por briga e confusão
Foi preso e deportado.

Camões sendo desterrado
Em país do oriente,
Na Índia provavelmente
Deixou serviço prestado
Três anos como soldado
Depois pra Macau* seguiu
Onde um amor conseguiu
Dinamene uma chinesa
N’um naufrágio, a indefesa,
N’águas se submergiu.

Belos poemas dramáticos
Ele fez, mas não satíricos,
Estilos longos e práticos
Dramas, épicos e líricos
Foram feitos por Luiz
Mas num viver infeliz
Nasceu pobre e viveu
Em uma mísera tormenta
Em 10.6.15-80
O lisboeta morreu.

Camões um renascentista
Dos séculos XV e XVI
O orgulho português
Exímio vernaculista,
Bom poeta grande artista
Imortalizou seu nome
O tempo jamais consome
Seus feitos, mas passou danos,
Invejosos lusitanos
Mataram Camões de fome.

*Marrocos
**China
Ismael Freire, 2009

O Brasil escaveirado

Deus Pai e Senhor Supremo
dos pobres que humilhados
imploraram o seu Santo Nome
como Pai dos desgraçados
vinde Senhor socorrei-nos
dos lobos esfaimados.

Olhai para nossos filhos
que muitos morrendo a fome
escravizados no eito
imploraram o vosso nome
vinde Deus eu vos suplico
como pai, se não o rico.
os nossos filhos consome.

Oh! Brasil eras um "éden"
há muitos anos atrás
mas os vis gananciosos
com a fúria dos chacais
truculentos no civismo
lançaram-te no abismo
d'onde jamais sairás.

Alertai Brasil querido
Pais riquíssimo e profundo
amparai os vossos filhos
que vosso solo é fecundo
forte, heróico e varonil
Brasil, Brasil meu Brasil
Brasil orgulho do mundo.

Olhai para o nosso povo
se não tudo se consome
a carestia é de mais
dinheiro só tem o nome
seu valor diminuindo
mercadoria subindo
e o pobre morrendo a fome.

O pobre morre a mingua
sem direito de viver
que seus direitos são estes
trabalhar e não comer
depois ser preso, apanhar
gemer com fome e chorar
passa nudez e morrer.

São estes os tristes direitos
que a pobreza abraça
rico é um carro novo
e muitas casas na "praça"
mulheres, terra e gado
um revólver pendurado
pra que mal ninguém lhe faça.

O rico comete um crime
mas não vai para a cadeia
tem um bom advogado
em liberdade passeia
o pobre toma uma cana
e por ação desumana
só falta morrer na peia.

Eu dizendo estas verdades
os homens inconscientes
poderão até matar-me
assim como Tiradentes
muito antes da república
foi morto em praça pública
com os seus inconfidentes.

Morrer como Tiradentes
como Felipe dos Santos
é morrer como um herói
e ente martírios tantos
morrendo deixo meu nome
os filhos sofrendo fome
chorando amargosos prantos.

Quem quiser prender-me prenda
quem quiser matar-me mate
quem se achar ofendido
tire-me a vida em resgate
dou-lhe esta liberdade
mas de falar a verdade
não há diabo que me empate.

Já estou velho e cansado
pouco me importa o viver
da morte tenho certeza
não posso me esconder
não corro e nem sou covarde
seja cedo ou seja tarde
sempre tenho que morrer.

A fome arrocha d'um lado
vem do outro a carestia
doença lasca no meio
de frente a demagogia
por cima a inconsciência
por traz roubo e violência
pilheria, dito e orgia.

E cada dia que passa
mais o flagelo se enrasca
os alimentos subindo
dinheiro a valor de "casca"
o rico gozando a vida
e o pobre é quem se lasca.

Pois o perverso incauto
não procura proteger
ao homem que trabalha
pra ver seu país crescer
mas tem mente voltada
machucar e dar pancada
em quem lhe dar de comer.

Do suor de quem trabalha
vivem os homens potentados
governos e presidentes
senadores, deputados
juizes e promotores
prefeitos, vereadores
comandantes e soldados.

E para que maltratar?
a que pra todos trabalha
pra lhes dar o pão da vida
um instante não se empalha
com fome, nu, sem morada.
vive o homem da enxada
comendo pouca migalha.

E a migalha não passa
de um caldo de feijão
que pobre não come arroz
talharim nem macarrão
queijo, carne, batatinha.
verdura, fruta, galinha.
pobre não ver isto não.

Pobre só come batata
pelo pulgão estragada
beiju entala-cachorro
macaxeira ensoada
sodoro, cará do mato
aruá, calango e rato.
bredo cozido e mais nada.

Outra classe sofredora
é o do povo operário
se aumenta 30 por cento
em seu mesquinho salário
mas aumenta 100 por cento
no que se diz alimento
daquele mais necessário.

Quem ganha o salário mínimo
inda come um peixe assado
ou camarão de açude
além de podre é salgado
num valor que desconheço
pra comer do mesmo preço
quem não ganha está lascado.

Onde estão os poderosos
será que eles não vejam
que sem termos agricultura
só misérias nos rastejam
por faltas de alimentos
e cegos de entendimentos
não acredito que estejam.

A Igreja esta nos manda
que devemos trabalhar
porque Deus não vendeu terra
e terra é de quem morar
não sei como se atreve
a ensinar fazer greve
para o pobre se lascar.

D'outro lado o sindicato
contra ao rico profana
joga o pobre sobre o rico
ação negra e desumana
fica o pobre em pé de guerra
o rico não arrenda a terra
e o pobre é quem se dana.

Se os governantes criassem
como homens de conceitos
uma lei arrendatária
mas com dividas e respeitos
e o rico arrendaria
e o pobre trabalharia
pagando-lhe os seus direitos.

E esta lei obrigatória
para o rico arrender
e dividir sua terra
uma parte pra criar
outra pra agricultura
e obrigar a criatura
que queira ou não trabalhar.

Porque hoje só o velho
bota pequeno roçado
se o rico for bondoso
mas o foro adiantado
vem a seca e atrapalha
quem é moço e não trabalha
que é velho está cansado.

Hoje que é moço e forte
só fala em se empregar
se alguém fala em roçado
ele é capaz de brigar
diz de cara enfarruscada
roçado não camarada
que enxada é um azar.

E outro diz que o rico
só fala em plantar capim
diz o rico: um morador
nem de ouro o quero enfim
a lei dá direito a ele
que invés d'eu mandar nele
ele é quem manda em mim.

Mas o capim cria o gado
pra nossa alimentação
couro para artesanatos
seu tudo tem distinção
com todo seu sacrifício
vive pouco e é propício
pra grandeza da nação.

Eu considero a vaca
como uma escravizada
nos dar filho, carne e couro
ganha capim e mais nada
e para melhor deleite
nos oferece o seu leite
manteiga, queijo e coalhada.

Precisamos de capim
para nossa criação
de terra para plantarmos
arroz, milho e feijão
precisamos de pobreza
de um Brasil de grandeza
porém de malandros não.

Ismael Freire da Silva, Guarabira

Soneto: Deus está em todo canto

Deus é ubíquo nos céus na terra e no mar
E nas nuvens alabastrinas passeando
Nas deusas matas aos seus feitos contemplando
O prado, o campo, o jardim e o pomar.

A igreja a pedra de ara o altar
O junquilho a flor ao olor exalando
O faminto e o velho cambaleando
E o paupérrimo que vive a mendigar

A paz, a meiguice, o carinho, o amor
O sofrimento, o gemido e o clamor
A vil pobreza a doença e o pranto.

O campanário num sinfônico festival
Deus Espírito em verdade universal
Onipotente que está em todo canto.

Ismael Freire, Guarabira, 08 de setembro de 2009



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O primeiro poeta nascido no Brasil Manuel Botelho de Oliveira

Frei Vicente Rodrigues do Salvador
Nasceu em 15-64, baiano competente.
Literato e cronologicamente
Tornou-se o primeiro historiador
Outro vulto da Bahia de Valor
E primeiro poeta da terra brasileira
De música parnasiana e altaneira
Foi autor e com toda autonomia
Imortalizou o nome de poeta da Bahia
Manuel Botelho de Oliveira


O baiano Antônio Castro Alves
Foi o mais inspirado dos poetas,
Brasileiros e poesias seletas
Escreveu-as tornando-as impagáveis
Sobre os escravos com idéias tão amáveis
Espumas Flutuantes, escreveu
Mas por sucesso um tiro recebeu
E atacou-lhe uma moléstia tirana
E o orgulho da poesia baiana
Aos 24 anos de idade ele morreu.


Tiradentes um grande brasileiro
Que lutou pela nossa liberdade
Mas em 21 de abril com crueldade
Lhe enforcaram no Rio de Janeiro
Em 17 e 92 e o mineiro
Foi feita em postas para Minas Gerais
Mandaram os seus membros e nada mais
Mas morreu como um homem de mister
Joaquim José da Silva Xavier
Foi o maior dos heróis nacionais


Raimundo Farias de Brito estou lembrado
Cearense de uma vasta cultura
O filósofo de mais literatura
Que até hoje no mundo foi criado
Praticamente conhecido e falado
De descendência de pobre ele nasceu
Somente ao estudo ele deveu
Do desejo que tinha de aprender
Que lhe trouxe regozijo e o prazer
O tudo que no mundo das letras aprendeu.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 2009

Poesia: Mãe

Mãe, que palavra de riso e de amor
Para com o filho desde a sua meninice
Tratando-lhe com zelo e com meiguice
Mãe! Obra divina de Deus o criador
Atrativa e carinhosa
Mãe a verdadeira rosa
Das flores a mais cheirosa
Vedes Maria a mãe do Salvador.

Uma mãe merece todo respeito
É onde todo carinho se encerra,
Respeitai-a pra viverdes mais na terra
Mandamento de Deus de puro efeito
Mãe, oh! Que a palavra linda
Não encontrei outra ainda
De uma bondade infinda
De moral de beleza e de conceito.

Toda mãe contém mimosidade
E ao filho ela beija e lhe quer bem
E não importa os defeitos que ele tem
Que toda mãe é santa na qualidade
Mãe fulcro da existência
Da vida a quinta essência
O cerne da resistência
No amor, no carinho e na bondade.
Ismael Freire da Silva, Guarabira, Sem data

Soneto: Saudade

Saudade é quem traz recordação
De alguém que se acha bem distante
Se olho não vejo minha amante
A saudade me fere o coração.

Saudade triste dor da separação
Por não ver meu amor a cada instante
Sinto saudade, jaça cruciante
Fel nostálgica exília da paixão.

Saudade, das flores a mais cheirosa
Saudade, frase meiga amorosa
Saudade, esmero de amizade.

Saudade, é tristeza pranto e dor
Ausência escravizante do amor
Saudade não me mate de saudade.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, Sem data

Soneto: Raça Negra

Teus desprezos pra mim sou ameaça
Que me trazes mágoa e sofreres tantos
Meus martírios e meus amargos pratos
São teus prazeres pra mim são negras jaças.

Fazes zombaria de mim e achas graças
Se cores negras me servem como manta
São solitários meus dias e nos recantos
Melancólicas viveram negras raças.

Raças negras, negras raças, raças limpas
Mais primitivas que a tua e mais supimpas
Que a lusitana mais os meus desejos

São, unir por amor os meus lábios com os teus
E que unidos são teus lábios com os meus
Sentimentos o sabor dos doces beijos.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, Indatado

Soneto: Quero ser

Deus deu-me a luz da clarividência
Ao nascer e a do entendimento
Depois a divina onipotência
Da poesia me deu o conhecimento.

Como ser unigênito da ciência
Inspirou-me com a luz do santo extro
Vei Apolo com um rio de refulgência
Deu-me o nome de poeta novo e destro.

E assim este nome me foi dado
De poeta e eu rejubilado
O amarei um dia quando morrer

O deixarei em sinal da minha meta
Este nome de gloria de poeta
Pois nasci para ser e quero ser.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 1952

Soneto: Semi-selvático, semi-analfabeto

Sou de raça aborígine ou selvagem
E me criei seminu vivendo em choças,
Nada estudei sou matuto de mãos grossas
Que de selvícula vem a minha linhagem.

Cresci doente raquítico sem coragem
Trabalhando qual boi a jugo de carroças
Sob sol, chuva em labutas pelas roças
Tétrica, cabisbaixa é minha imagem.

Da ignorância senti a vil rudeza
Mas implorei à Deus, o Pai da natureza
Meiguice, carinho, amor, paz e afeto.

Pra um selvático sem ter a luz do saber
Dos crimes mais nefandos, o homem não saber ler.
Um eu, tenho vida, sou vivo mais vegeto.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 06 de dezembro de 2002

Frei Damião engrandece a cidade Guarabira


Tuas palmeiras eretas
Tens Guarabira o desvelo
Onde nasceram os poetas
Camilo e José Camelo
João Silveira em Passagem
Mas hoje é tua imagem
Frei Damião a "Safira"
Que todo valor engradece
A cidade Guarabira.

Veja no cimo ou grimpa
Do Santo Frade o emblema
A beleza mais supimpa
Vista em Serra da Jurema
Memorial Frei Damião
Chamando o povo atenção
Onde o poeta se inspira
E diz de joelho em prece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Que maravilha imponente
A estátua Frei Damião
O Santo mais excelente
Desta nossa região
Quais, Padre Ibiapina
Padre Cícero em doutrina
Que esmagou a mentira
Diz quem dele não se esquece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

E grande número de gente
Vem visitar a imagem,
De longe ou adjacente
Rendendo santa homenagem
Ao Santo mais Nordestino
Homem, mulher e menino,
Praciano ou caipira
Ora a Deus por quem padece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Na Jurema pitoresca
Frei Damiuão de Bozzano
Recebe a brisa fresca
Toda viração do ano
Gozando do privilégio
Livra-nos do sacrilégio
Do Diabo e sua ira
e Perdão nos oferece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Via sacra a primeira
Mostra-nos a paixão de Jesus
Talvez ao meio da ladeira
Pela direita uma cruz
Um cruzeiro ou madeiro
Onde o povo romeiro
Do cansaço ali respira
Diz quando se restabelece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Pequeno quadro uma sacra
Que orações se conduz,
Quatorze quadros via sacra
Ou a paixão de Jesus
Vês ao Gólgota subindo
Por sobre as pedras caindo
Maria ao vê-Lo suspira
Ora a Deus e desfalece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Quatorze quadros seguidos
Cenas da Paixão de Cristo
De gritos, "ais" e gemidos,
Entre um povo malquisto
Jesus a cruz carregando
Suba a Jurema olhando
Veja tudo e se refira
Um justo quanto padece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Leninha pede a volta
De Monsenhor Nicodemos,
Se precisar de revolta
Em Guarabira "O" queremos
Bom padre e bom confessor
Do Memorial fundador
Obra que Deus admira
Para colheita da messe
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Nós queremos mais comércios
Mais turismo, mais negócios
Mais milhões, menos sestércios
Mais empresas e mais sócios
E mais ricos industriários
Trabalhos, mais operários,
Com Dólar, Euro e Lira
Que o mundo às enaltece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.


Ismael Freire da Silva, Guarabira, 10 de abril de 2009

Soneto: Bom censo ou minha crença

Gosto da paz e sou repulsivo a brigas
Detesto o ódio e gosto de carinhos,
Recuso a raiva e gosto de beijinhos
Sou como as aves leais puras amigas.

Prezo afagos e desprezo as intrigas
Amo aos bons e protesto aos mesquinhos
Adoro a Cristo e vejo em seus caminhos
O amor, a paz, o descanso das fadigas.

Creio em Deus divino, Supremo criador
Em Jesus Cristo o seu filho, o Salvador,
E na virgem, como mãe diviso o Alvo...

Ou seja a pedra angular da salvação
Na cruz avisto, o símbolo da redenção
É Jesus Cristo e com Ele eu serei Salvo.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 08 de fevereiro de 2009

Ismael Freire da Silva, nasceu no ano de 1924 em Bananeiras-PB. Filho de José Belmiro Freire e
Ismael Freire da SilvaJosefa Freire, tem seis irmãos e é pai de nove filhos.
Viveu parte da sua infância em Bananeiras. Em 1938 passou a residir em Belém-PB e chegou a Guarabira em 1940, passando a morar na Serra da Jurema. Já em 1945 desceu a Serra, vindo residir no Bairro do Rosário (fixando residência ali por 17 anos). Também residiu em Campina Grande e em outros bairros de Guarabira, a exemplo do Centro, na Rua Coronel Francisco Dias (Rua do Arame), na Rua do Capim, no Conjunto Assis Chateaubriand, e, finalmente no Bairro do Nordeste I, onde mora atualmente.
Não frequentou escolas, apenas aprendeu o "ABC" quando passou por Belém-PB, em 1939 com o professor Severino Pedra. Já em 1940 começava a vender cordéis nas feiras livres de diversas cidades. Em 1950, conseguiu aprender a escrever seu nome, até então sabia ler mais não sabia escrever.
Começou a compor suas primeiras poesias em 1950, enquanto que seus primeiros cordéis datam de 1952 o primeiro deles intitulado "Profecia de um velho mensageiro". Seu trabalho poético é citado em várias obras e por poetas de renome, a exemplo de Chico Pedrosa - um dos guarabirenses (nasceu no distrito do Pirpiri, área rural de Guarabira) mais destacados na poesia popular e cantoria de viola do Nordeste brasileiro.
Ismael já exerceu várias profissões: fogueteiro, ferreiro, agricultor, funileiro, além de ser poeta de qualidade ímpar. A arte da xilogravura também exerceu com maestria, ilustrando folhetos importantes. Ele vendeu cordéis na feira livre de Guarabira, cidades vizinhas e de outros Estados, como o Rio Grande do Norte. Nessas feiras, ele declamava as histórias presentes nos cordéis, a exemplo do "Romance do Pavão Misterioso", do seu amigo José Camelo de Melo.
Pessoas importantes na sua vida: Seu pai e sua mãe, além dos poetas: Francisco Pedro (Pedrosa), Joaquim Perventino, Manoel Camilo, José Alves de Pontes, Francisco Borges e Luis Gomes.
Também foi integrante de uma sociedade de violeiros (já extinta) em Guarabira e de outra sociedade de poesia do vizinho Estado do Rio Grande do Norte.

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