Com meros conhecimentos e desejos simultâneos com bases fundamentais nas poesias divinas.

Tema de Luiz Gomes Lunerque

Com meros conhecimentos
E desejos simultâneos.
Reúnem-se os pensamentos
Dos poetas conterrâneos,
Que buscam poesias líricas
Lá nas moradas empíricas,
Santas e alabastrinas
Dos Deuses celestiais
Com bases fundamentais
Nas poesias divinas.


Poesias, puras essências
Que em etéreos momentos
Nas luzes de refulgências
Reúnem-se os pensamentos
Dos poetas conterrâneos
Nos repentes instantâneos
Mostram de Deus as doutrinas
E as belezas siderais
Com bases fundamentais
Nas poesias divinas.

Ismael Freire, 2009

Mataram Camões de Fome

Tema de: Luiz Gomes Lunerque


Luiz Vaz de Camões nasceu
No ano 15-25,
Grande poeta de afinco
Em Ceuta* um olho perdeu
Servindo como um soldado.
Após de ter regressado
A Lisboa teve prisão
Por briga e confusão
Foi preso e deportado.

Camões sendo desterrado
Em país do oriente,
Na Índia provavelmente
Deixou serviço prestado
Três anos como soldado
Depois pra Macau* seguiu
Onde um amor conseguiu
Dinamene uma chinesa
N’um naufrágio, a indefesa,
N’águas se submergiu.

Belos poemas dramáticos
Ele fez, mas não satíricos,
Estilos longos e práticos
Dramas, épicos e líricos
Foram feitos por Luiz
Mas num viver infeliz
Nasceu pobre e viveu
Em uma mísera tormenta
Em 10.6.15-80
O lisboeta morreu.

Camões um renascentista
Dos séculos XV e XVI
O orgulho português
Exímio vernaculista,
Bom poeta grande artista
Imortalizou seu nome
O tempo jamais consome
Seus feitos, mas passou danos,
Invejosos lusitanos
Mataram Camões de fome.

*Marrocos
**China
Ismael Freire, 2009

O Brasil escaveirado

Deus Pai e Senhor Supremo
dos pobres que humilhados
imploraram o seu Santo Nome
como Pai dos desgraçados
vinde Senhor socorrei-nos
dos lobos esfaimados.

Olhai para nossos filhos
que muitos morrendo a fome
escravizados no eito
imploraram o vosso nome
vinde Deus eu vos suplico
como pai, se não o rico.
os nossos filhos consome.

Oh! Brasil eras um "éden"
há muitos anos atrás
mas os vis gananciosos
com a fúria dos chacais
truculentos no civismo
lançaram-te no abismo
d'onde jamais sairás.

Alertai Brasil querido
Pais riquíssimo e profundo
amparai os vossos filhos
que vosso solo é fecundo
forte, heróico e varonil
Brasil, Brasil meu Brasil
Brasil orgulho do mundo.

Olhai para o nosso povo
se não tudo se consome
a carestia é de mais
dinheiro só tem o nome
seu valor diminuindo
mercadoria subindo
e o pobre morrendo a fome.

O pobre morre a mingua
sem direito de viver
que seus direitos são estes
trabalhar e não comer
depois ser preso, apanhar
gemer com fome e chorar
passa nudez e morrer.

São estes os tristes direitos
que a pobreza abraça
rico é um carro novo
e muitas casas na "praça"
mulheres, terra e gado
um revólver pendurado
pra que mal ninguém lhe faça.

O rico comete um crime
mas não vai para a cadeia
tem um bom advogado
em liberdade passeia
o pobre toma uma cana
e por ação desumana
só falta morrer na peia.

Eu dizendo estas verdades
os homens inconscientes
poderão até matar-me
assim como Tiradentes
muito antes da república
foi morto em praça pública
com os seus inconfidentes.

Morrer como Tiradentes
como Felipe dos Santos
é morrer como um herói
e ente martírios tantos
morrendo deixo meu nome
os filhos sofrendo fome
chorando amargosos prantos.

Quem quiser prender-me prenda
quem quiser matar-me mate
quem se achar ofendido
tire-me a vida em resgate
dou-lhe esta liberdade
mas de falar a verdade
não há diabo que me empate.

Já estou velho e cansado
pouco me importa o viver
da morte tenho certeza
não posso me esconder
não corro e nem sou covarde
seja cedo ou seja tarde
sempre tenho que morrer.

A fome arrocha d'um lado
vem do outro a carestia
doença lasca no meio
de frente a demagogia
por cima a inconsciência
por traz roubo e violência
pilheria, dito e orgia.

E cada dia que passa
mais o flagelo se enrasca
os alimentos subindo
dinheiro a valor de "casca"
o rico gozando a vida
e o pobre é quem se lasca.

Pois o perverso incauto
não procura proteger
ao homem que trabalha
pra ver seu país crescer
mas tem mente voltada
machucar e dar pancada
em quem lhe dar de comer.

Do suor de quem trabalha
vivem os homens potentados
governos e presidentes
senadores, deputados
juizes e promotores
prefeitos, vereadores
comandantes e soldados.

E para que maltratar?
a que pra todos trabalha
pra lhes dar o pão da vida
um instante não se empalha
com fome, nu, sem morada.
vive o homem da enxada
comendo pouca migalha.

E a migalha não passa
de um caldo de feijão
que pobre não come arroz
talharim nem macarrão
queijo, carne, batatinha.
verdura, fruta, galinha.
pobre não ver isto não.

Pobre só come batata
pelo pulgão estragada
beiju entala-cachorro
macaxeira ensoada
sodoro, cará do mato
aruá, calango e rato.
bredo cozido e mais nada.

Outra classe sofredora
é o do povo operário
se aumenta 30 por cento
em seu mesquinho salário
mas aumenta 100 por cento
no que se diz alimento
daquele mais necessário.

Quem ganha o salário mínimo
inda come um peixe assado
ou camarão de açude
além de podre é salgado
num valor que desconheço
pra comer do mesmo preço
quem não ganha está lascado.

Onde estão os poderosos
será que eles não vejam
que sem termos agricultura
só misérias nos rastejam
por faltas de alimentos
e cegos de entendimentos
não acredito que estejam.

A Igreja esta nos manda
que devemos trabalhar
porque Deus não vendeu terra
e terra é de quem morar
não sei como se atreve
a ensinar fazer greve
para o pobre se lascar.

D'outro lado o sindicato
contra ao rico profana
joga o pobre sobre o rico
ação negra e desumana
fica o pobre em pé de guerra
o rico não arrenda a terra
e o pobre é quem se dana.

Se os governantes criassem
como homens de conceitos
uma lei arrendatária
mas com dividas e respeitos
e o rico arrendaria
e o pobre trabalharia
pagando-lhe os seus direitos.

E esta lei obrigatória
para o rico arrender
e dividir sua terra
uma parte pra criar
outra pra agricultura
e obrigar a criatura
que queira ou não trabalhar.

Porque hoje só o velho
bota pequeno roçado
se o rico for bondoso
mas o foro adiantado
vem a seca e atrapalha
quem é moço e não trabalha
que é velho está cansado.

Hoje que é moço e forte
só fala em se empregar
se alguém fala em roçado
ele é capaz de brigar
diz de cara enfarruscada
roçado não camarada
que enxada é um azar.

E outro diz que o rico
só fala em plantar capim
diz o rico: um morador
nem de ouro o quero enfim
a lei dá direito a ele
que invés d'eu mandar nele
ele é quem manda em mim.

Mas o capim cria o gado
pra nossa alimentação
couro para artesanatos
seu tudo tem distinção
com todo seu sacrifício
vive pouco e é propício
pra grandeza da nação.

Eu considero a vaca
como uma escravizada
nos dar filho, carne e couro
ganha capim e mais nada
e para melhor deleite
nos oferece o seu leite
manteiga, queijo e coalhada.

Precisamos de capim
para nossa criação
de terra para plantarmos
arroz, milho e feijão
precisamos de pobreza
de um Brasil de grandeza
porém de malandros não.

Ismael Freire da Silva, Guarabira

Soneto: Deus está em todo canto

Deus é ubíquo nos céus na terra e no mar
E nas nuvens alabastrinas passeando
Nas deusas matas aos seus feitos contemplando
O prado, o campo, o jardim e o pomar.

A igreja a pedra de ara o altar
O junquilho a flor ao olor exalando
O faminto e o velho cambaleando
E o paupérrimo que vive a mendigar

A paz, a meiguice, o carinho, o amor
O sofrimento, o gemido e o clamor
A vil pobreza a doença e o pranto.

O campanário num sinfônico festival
Deus Espírito em verdade universal
Onipotente que está em todo canto.

Ismael Freire, Guarabira, 08 de setembro de 2009



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O primeiro poeta nascido no Brasil Manuel Botelho de Oliveira

Frei Vicente Rodrigues do Salvador
Nasceu em 15-64, baiano competente.
Literato e cronologicamente
Tornou-se o primeiro historiador
Outro vulto da Bahia de Valor
E primeiro poeta da terra brasileira
De música parnasiana e altaneira
Foi autor e com toda autonomia
Imortalizou o nome de poeta da Bahia
Manuel Botelho de Oliveira


O baiano Antônio Castro Alves
Foi o mais inspirado dos poetas,
Brasileiros e poesias seletas
Escreveu-as tornando-as impagáveis
Sobre os escravos com idéias tão amáveis
Espumas Flutuantes, escreveu
Mas por sucesso um tiro recebeu
E atacou-lhe uma moléstia tirana
E o orgulho da poesia baiana
Aos 24 anos de idade ele morreu.


Tiradentes um grande brasileiro
Que lutou pela nossa liberdade
Mas em 21 de abril com crueldade
Lhe enforcaram no Rio de Janeiro
Em 17 e 92 e o mineiro
Foi feita em postas para Minas Gerais
Mandaram os seus membros e nada mais
Mas morreu como um homem de mister
Joaquim José da Silva Xavier
Foi o maior dos heróis nacionais


Raimundo Farias de Brito estou lembrado
Cearense de uma vasta cultura
O filósofo de mais literatura
Que até hoje no mundo foi criado
Praticamente conhecido e falado
De descendência de pobre ele nasceu
Somente ao estudo ele deveu
Do desejo que tinha de aprender
Que lhe trouxe regozijo e o prazer
O tudo que no mundo das letras aprendeu.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 2009

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