Poesia: Mãe

Mãe, que palavra de riso e de amor
Para com o filho desde a sua meninice
Tratando-lhe com zelo e com meiguice
Mãe! Obra divina de Deus o criador
Atrativa e carinhosa
Mãe a verdadeira rosa
Das flores a mais cheirosa
Vedes Maria a mãe do Salvador.

Uma mãe merece todo respeito
É onde todo carinho se encerra,
Respeitai-a pra viverdes mais na terra
Mandamento de Deus de puro efeito
Mãe, oh! Que a palavra linda
Não encontrei outra ainda
De uma bondade infinda
De moral de beleza e de conceito.

Toda mãe contém mimosidade
E ao filho ela beija e lhe quer bem
E não importa os defeitos que ele tem
Que toda mãe é santa na qualidade
Mãe fulcro da existência
Da vida a quinta essência
O cerne da resistência
No amor, no carinho e na bondade.
Ismael Freire da Silva, Guarabira, Sem data

Soneto: Saudade

Saudade é quem traz recordação
De alguém que se acha bem distante
Se olho não vejo minha amante
A saudade me fere o coração.

Saudade triste dor da separação
Por não ver meu amor a cada instante
Sinto saudade, jaça cruciante
Fel nostálgica exília da paixão.

Saudade, das flores a mais cheirosa
Saudade, frase meiga amorosa
Saudade, esmero de amizade.

Saudade, é tristeza pranto e dor
Ausência escravizante do amor
Saudade não me mate de saudade.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, Sem data

Soneto: Raça Negra

Teus desprezos pra mim sou ameaça
Que me trazes mágoa e sofreres tantos
Meus martírios e meus amargos pratos
São teus prazeres pra mim são negras jaças.

Fazes zombaria de mim e achas graças
Se cores negras me servem como manta
São solitários meus dias e nos recantos
Melancólicas viveram negras raças.

Raças negras, negras raças, raças limpas
Mais primitivas que a tua e mais supimpas
Que a lusitana mais os meus desejos

São, unir por amor os meus lábios com os teus
E que unidos são teus lábios com os meus
Sentimentos o sabor dos doces beijos.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, Indatado

Soneto: Quero ser

Deus deu-me a luz da clarividência
Ao nascer e a do entendimento
Depois a divina onipotência
Da poesia me deu o conhecimento.

Como ser unigênito da ciência
Inspirou-me com a luz do santo extro
Vei Apolo com um rio de refulgência
Deu-me o nome de poeta novo e destro.

E assim este nome me foi dado
De poeta e eu rejubilado
O amarei um dia quando morrer

O deixarei em sinal da minha meta
Este nome de gloria de poeta
Pois nasci para ser e quero ser.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 1952

Soneto: Semi-selvático, semi-analfabeto

Sou de raça aborígine ou selvagem
E me criei seminu vivendo em choças,
Nada estudei sou matuto de mãos grossas
Que de selvícula vem a minha linhagem.

Cresci doente raquítico sem coragem
Trabalhando qual boi a jugo de carroças
Sob sol, chuva em labutas pelas roças
Tétrica, cabisbaixa é minha imagem.

Da ignorância senti a vil rudeza
Mas implorei à Deus, o Pai da natureza
Meiguice, carinho, amor, paz e afeto.

Pra um selvático sem ter a luz do saber
Dos crimes mais nefandos, o homem não saber ler.
Um eu, tenho vida, sou vivo mais vegeto.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 06 de dezembro de 2002

Frei Damião engrandece a cidade Guarabira


Tuas palmeiras eretas
Tens Guarabira o desvelo
Onde nasceram os poetas
Camilo e José Camelo
João Silveira em Passagem
Mas hoje é tua imagem
Frei Damião a "Safira"
Que todo valor engradece
A cidade Guarabira.

Veja no cimo ou grimpa
Do Santo Frade o emblema
A beleza mais supimpa
Vista em Serra da Jurema
Memorial Frei Damião
Chamando o povo atenção
Onde o poeta se inspira
E diz de joelho em prece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Que maravilha imponente
A estátua Frei Damião
O Santo mais excelente
Desta nossa região
Quais, Padre Ibiapina
Padre Cícero em doutrina
Que esmagou a mentira
Diz quem dele não se esquece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

E grande número de gente
Vem visitar a imagem,
De longe ou adjacente
Rendendo santa homenagem
Ao Santo mais Nordestino
Homem, mulher e menino,
Praciano ou caipira
Ora a Deus por quem padece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Na Jurema pitoresca
Frei Damiuão de Bozzano
Recebe a brisa fresca
Toda viração do ano
Gozando do privilégio
Livra-nos do sacrilégio
Do Diabo e sua ira
e Perdão nos oferece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Via sacra a primeira
Mostra-nos a paixão de Jesus
Talvez ao meio da ladeira
Pela direita uma cruz
Um cruzeiro ou madeiro
Onde o povo romeiro
Do cansaço ali respira
Diz quando se restabelece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Pequeno quadro uma sacra
Que orações se conduz,
Quatorze quadros via sacra
Ou a paixão de Jesus
Vês ao Gólgota subindo
Por sobre as pedras caindo
Maria ao vê-Lo suspira
Ora a Deus e desfalece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Quatorze quadros seguidos
Cenas da Paixão de Cristo
De gritos, "ais" e gemidos,
Entre um povo malquisto
Jesus a cruz carregando
Suba a Jurema olhando
Veja tudo e se refira
Um justo quanto padece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Leninha pede a volta
De Monsenhor Nicodemos,
Se precisar de revolta
Em Guarabira "O" queremos
Bom padre e bom confessor
Do Memorial fundador
Obra que Deus admira
Para colheita da messe
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.

Nós queremos mais comércios
Mais turismo, mais negócios
Mais milhões, menos sestércios
Mais empresas e mais sócios
E mais ricos industriários
Trabalhos, mais operários,
Com Dólar, Euro e Lira
Que o mundo às enaltece
Frei Damião engradece
A cidade Guarabira.


Ismael Freire da Silva, Guarabira, 10 de abril de 2009

Soneto: Bom censo ou minha crença

Gosto da paz e sou repulsivo a brigas
Detesto o ódio e gosto de carinhos,
Recuso a raiva e gosto de beijinhos
Sou como as aves leais puras amigas.

Prezo afagos e desprezo as intrigas
Amo aos bons e protesto aos mesquinhos
Adoro a Cristo e vejo em seus caminhos
O amor, a paz, o descanso das fadigas.

Creio em Deus divino, Supremo criador
Em Jesus Cristo o seu filho, o Salvador,
E na virgem, como mãe diviso o Alvo...

Ou seja a pedra angular da salvação
Na cruz avisto, o símbolo da redenção
É Jesus Cristo e com Ele eu serei Salvo.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, 08 de fevereiro de 2009

Ismael Freire da Silva, nasceu no ano de 1924 em Bananeiras-PB. Filho de José Belmiro Freire e
Ismael Freire da SilvaJosefa Freire, tem seis irmãos e é pai de nove filhos.
Viveu parte da sua infância em Bananeiras. Em 1938 passou a residir em Belém-PB e chegou a Guarabira em 1940, passando a morar na Serra da Jurema. Já em 1945 desceu a Serra, vindo residir no Bairro do Rosário (fixando residência ali por 17 anos). Também residiu em Campina Grande e em outros bairros de Guarabira, a exemplo do Centro, na Rua Coronel Francisco Dias (Rua do Arame), na Rua do Capim, no Conjunto Assis Chateaubriand, e, finalmente no Bairro do Nordeste I, onde mora atualmente.
Não frequentou escolas, apenas aprendeu o "ABC" quando passou por Belém-PB, em 1939 com o professor Severino Pedra. Já em 1940 começava a vender cordéis nas feiras livres de diversas cidades. Em 1950, conseguiu aprender a escrever seu nome, até então sabia ler mais não sabia escrever.
Começou a compor suas primeiras poesias em 1950, enquanto que seus primeiros cordéis datam de 1952 o primeiro deles intitulado "Profecia de um velho mensageiro". Seu trabalho poético é citado em várias obras e por poetas de renome, a exemplo de Chico Pedrosa - um dos guarabirenses (nasceu no distrito do Pirpiri, área rural de Guarabira) mais destacados na poesia popular e cantoria de viola do Nordeste brasileiro.
Ismael já exerceu várias profissões: fogueteiro, ferreiro, agricultor, funileiro, além de ser poeta de qualidade ímpar. A arte da xilogravura também exerceu com maestria, ilustrando folhetos importantes. Ele vendeu cordéis na feira livre de Guarabira, cidades vizinhas e de outros Estados, como o Rio Grande do Norte. Nessas feiras, ele declamava as histórias presentes nos cordéis, a exemplo do "Romance do Pavão Misterioso", do seu amigo José Camelo de Melo.
Pessoas importantes na sua vida: Seu pai e sua mãe, além dos poetas: Francisco Pedro (Pedrosa), Joaquim Perventino, Manoel Camilo, José Alves de Pontes, Francisco Borges e Luis Gomes.
Também foi integrante de uma sociedade de violeiros (já extinta) em Guarabira e de outra sociedade de poesia do vizinho Estado do Rio Grande do Norte.

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