Soneto: Raça Negra

Teus desprezos pra mim sou ameaça
Que me trazes mágoa e sofreres tantos
Meus martírios e meus amargos pratos
São teus prazeres pra mim são negras jaças.

Fazes zombaria de mim e achas graças
Se cores negras me servem como manta
São solitários meus dias e nos recantos
Melancólicas viveram negras raças.

Raças negras, negras raças, raças limpas
Mais primitivas que a tua e mais supimpas
Que a lusitana mais os meus desejos

São, unir por amor os meus lábios com os teus
E que unidos são teus lábios com os meus
Sentimentos o sabor dos doces beijos.

Ismael Freire da Silva, Guarabira, Indatado

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