Soneto: Amor de caboclo


Eu, caboclo um dia amei uma cabocla
Pensei ser amor infinito, me apaixonei
No excesso da paixão uma loucura jurei
Amar-lhe eternamente que jura louca!

Corpo grácil, lábios róseos, que linda boca!
Dentes e risos meigos se há amor não sei
E se ama a outro alguém, não perguntei
Que réplica, nunca usei-a como “touca”.

Amor relíquia num nicho apaixonado
Implorando uma megera que o detesta
E tetricamente suspira o coitado.

A pequenez voz ignota o protesta
Dizendo não, mas diz o ser abandonado
Quanto é ruim se amar a quem não presta.

Isvadre, o camponez.
 
©2009. Ismael Freire.







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